Abrigos



Ruelas vazias nas traseiras de ruas a abarrotar de lojas cheias e gente. Estâncias balneares à noite, fora de época. Vilas termais grandiosas onde a nobreza europeia fazia as suas férias chiques e saudáveis, que já ninguém se lembra que existem, e nas quais se tropeça numas férias, a caminho de outro sítio qualquer. Também as casas dos amigos onde se misturam intrusão e acolhimento, casas de família que já não o são ou sempre o foram condicionalmente, casas de férias e de passagem alugadas a pessoas que não conhecemos, onde as marcas de outros passageiros e dos donos se sentem constantemente. Lugares que vivem dos interstícios e de uma estranheza persistente, mas que podem ter alguma coisa de abrigo. Foi o caso.

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