sábado, 18 de abril de 2026

Silly like us

You were silly like us; your gift survived it all:
The parish of rich women, physical decay,
Yourself. Mad Ireland hurt you into poetry.

W. H. Auden, excerto de “In Memory of W. B. Yeats”


A melhor descrição de um dos meus poetas favoritos por outro do meus poetas favoritos. Gosto muito que este poema refira a patetice de Yeats, porque gosto de poetas frágeis, com algum tipo de “falha fatal” que o talento ou o génio não conseguem disfarçar, embora não sejam distorcidos ou diminuídos por ela. Não sei porquê, especialmente porque dificilmente perdoaria a mesma fragilidade num autor de prosa.Talvez (também) por reacção a uma poesia portuguesa contemporânea de pose muito desarrumada mas que na verdade não tem um cabelo fora do lugar e tem — evidentemente — tudo o é importante lido e visto e ouvido desde os dezasseis anos, e se esquece que uma pose de sofisticação descuidada é fraco substituto quer para a perfeição formal quer para o rasgo, que têm o brilho de um clarão. Em comparação com essa pose os poemas trapalhões, um pouco adolescentes, inadvertidamente cândidos, nunca me parecem assim tão maus.
Viés também, naturalmente, de uma admiradora da perfeição formal e da contenção poética perfeitamente ciente de que só poemas adolescentes estariam ao seu alcance. Quantas opiniões literárias não passam de auto-justificações.

domingo, 12 de abril de 2026

Year Zero

O Year Zero não é só um dos grandes álbuns de NIN. É a enésima prova de algo que já referi aqui: a presciência num artista não acontece quando tenta prever o futuro, mas quando se interessa profundamente pelo seu tempo. Reznor pensava mesmo que estava a fazer um álbum sobre George W. Bush.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Via Ferrata

Fiz a minha primeira via ferrata completa, ainda doente e com poucas horas de sono, e tendo em conta que nunca mais tinha feito escalada desde a pandemia, estou bem contentinha por ainda ter os dentes todos e o nariz intacto. E os braços nem me traíram no extra-prumo. Venha mais escalada, de preferência com os amigos de sempre em cantos (na verdade nada) secretos da Arrábida, em noites que só acabam com o nascer-do-sol.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Noite dentro

A parte boa de fazer viagens muito longas de noite é a oportunidade para ouvir álbuns feitos para viagens muito longas de noite. Tom Waits, Morphine, Twinemen, o segundo de Dead Combo, Portishead, Massive Attack, The Fragile dos NIN, etc. Enquanto houver estrada há banda sonora.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Papoilas

As primeiras tinham de ser ali, vistas do comboio, naquele prado de erva muito verde e alta, com um minúsculo bosque de pinheiros mansos no meio e ladeado de pomares e laranjais.

domingo, 5 de abril de 2026

Noites boas



Amigos que são quase família. Ainda não foi o regresso às aventuras nocturnas pela Arrábida, mas não me estou a queixar desta noite de conversa num café-livraria. Tinha tantas saudades das minhas pessoas, das nossas coisas.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Somewhere a strange and shrewd To-morrow goes to bed, 
Planning a test for men from Europe; no one guesses 
Who will be most ashamed, who richer, and who dead. 

W. H. Auden, excerto de “The Ship” (Janeiro 1938)


Ler os poemas de Auden escritos por volta destes anos é uma perturbação e um consolo.