Escritores leitores

O entusiasmo de um escritor por outro sempre foi a melhor recomendação (já devo ter dito aqui que ler o que Woolf escreve sobre Austen dá-me mais vontade de ler Austen do que ler Austen alguma vez me deu; e que foi por Borges que descobri Stevenson e Meyrink), mas ler Canetti quando escreve sobre os escritores que ama é uma experiência que, embora menos informativa, transcende as outras recomendações de escritores-leitores. Acompanhamos-lhe a alegria quando descobre que afinal não é o único maluco a pensar aquilo, o alívio da justificação, os manuais de escrita implícitos e disponíveis nas obras a que se apega. A experiência de escritor-leitor de Canetti é uma enciclopédia de gratidão: “Às vezes, leio vinte ou trinta páginas suas [de Sthendal] e acredito que vou viver para sempre.”

Dá-lhes, Bellow

“This is why a refined audience of Frenchmen listens respectfully to Artaud screaming. For them the whole purpose of art is to suggest and inspire ideas and discourse. The educated people of modern countries are a thinking rabble at the stage of what Marx called primitive accumulation. Their business is to reduce masterpieces to discourse.”

Saul Bellow, Humboldt's Gift

Lugares que não o são

“What is it, then? The spirit of the place? Its evil genius? The spirit of bad spells?”

Joseph Brodsky, Flight from Byzantium

Ópera bufa

Trump apoiará a candidatura de Orbán às Nações Unidas. Proponho que alguém apresente candidaturas em nome de Pedro Sánchez, Netanyahu e Delcy Rodríguez. Já agora fazemos isto como deve ser.
Discutem um jogador da bola, se deve ser considerado um génio ou não. A discórdia é meramente sobre os méritos da performance, porque no essencial concordam que limitar a genialidade a questões do espírito, criatividade e intelecto é “preconceito”. Pobre Ulrich, há um século em derrota contínua e sempre renovada contra cavalos de corrida.