domingo, 10 de maio de 2026

Portas da Cidade

Na cidade
biblioteca concreta da
memória, da razão, do negócio
da explicação dos milagres
entra pelos museus
concretização de uma vontade
de listas, catálogos, ordenações
onde se constrói uma navegação
possível e nunca sensata do caos
e a beleza concede
argumentos e consolo
irónica e perplexa com
tanta solenidade.
Na cidade, domínio do monumento
em que o corpo se sustenta
nos desenhos da calçada
e nos reflexos das montras
em suspensão
de óperas e escapes
de horas de ponta
entra pelas catedrais
onde se transfigura
a loucura culta da interpretação
no ritmo iluminado e repetido
das abóbodas e do canto
e o sagrado
encontra a linguagem
da pedra e do pigmento
que repercute
os seus breves clarões.

domingo, 12 de abril de 2026

Year Zero

O Year Zero não é só um dos grandes álbuns de NIN. É a enésima prova de algo que já referi aqui: a presciência num artista não acontece quando tenta prever o futuro, mas quando se interessa profundamente pelo seu tempo. Reznor pensava mesmo que estava a fazer um álbum sobre George W. Bush.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Via Ferrata

Fiz a minha primeira via ferrata completa, ainda doente e com poucas horas de sono, e tendo em conta que nunca mais tinha feito escalada desde a pandemia, estou bem contentinha por ainda ter os dentes todos e o nariz intacto. E os braços nem me traíram no extra-prumo. Venha mais escalada, de preferência com os amigos de sempre em cantos (na verdade nada) secretos da Arrábida, em noites que só acabam com o nascer-do-sol.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Noite dentro

A parte boa de fazer viagens muito longas de noite é a oportunidade para ouvir álbuns feitos para viagens muito longas de noite. Tom Waits, Morphine, Twinemen, o segundo de Dead Combo, Portishead, Massive Attack, The Fragile dos NIN, etc. Enquanto houver estrada há banda sonora.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Papoilas

As primeiras tinham de ser ali, vistas do comboio, naquele prado de erva muito verde e alta, com um minúsculo bosque de pinheiros mansos no meio e ladeado de pomares e laranjais.

domingo, 5 de abril de 2026

Noites boas



Amigos que são quase família. Ainda não foi o regresso às aventuras nocturnas pela Arrábida, mas não me estou a queixar desta noite de conversa num café-livraria. Tinha tantas saudades das minhas pessoas, das nossas coisas.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Somewhere a strange and shrewd To-morrow goes to bed, 
Planning a test for men from Europe; no one guesses 
Who will be most ashamed, who richer, and who dead. 

W. H. Auden, excerto de “The Ship” (Janeiro 1938)


Ler os poemas de Auden escritos por volta destes anos é uma perturbação e um consolo.

sábado, 28 de março de 2026

Ao molho



Ler sobre Veneza numa “taberna viking” que serve comida “alemã” num pueblo espanhol.

Primavera



Sábado, céu azul, nuvens altas e um vento largo a varrer tudo, depois de tantos, tantos meses de Inverno pesado e sem luz. Leituras lentas com significados que ecoam. O tempo pela Páscoa é especial.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Leituras



Versões físicas do Auden e da História de Veneza do Norwich que leio há meses. Um Sebald que ainda não li. Desta fornada ainda falta a colectânea do Zbigniew Herbert.