Muita gente compreensivelmente cansada, farta da mistura de indiferença e cretinices nas reacções à depressão Kristin, desabafa “nunca viveram no campo, não fazem ideia”. Explica um bocado mas não explica tudo. Leiria só é campo para quem acha que fora de Lisboa, Portugal é uma “bad land”.
E se fosse tudo campo? É preciso criar galinhas para perceber a tragédia de um incêndio ou catástrofe natural? Quem diz barbaridades é porque está farto de ter de fingir que esta insignificância lhes interessa.
Quanto ao silêncio era o que mais faltava haver obrigação de se pronunciar sobre o que quer que seja.Mas é curioso o caso dos viciados no FOMO e na titilação, para quem a vida é o que acontece nos intervalos das redes sociais, que vivem das coceguinhas que as tragédias ou a coragem dos outros lhes dão, de olhos postos em todos os micro assuntos na esperança de serem os primeiros a dizer algo que pegue e gere aplausos. Para eles não há fait divers demasiado pequeno para uma opinião rápida, peremptória e definitiva - a não ser tudo o que caia nesse ângulo cego que começa no lado de fora de Lisboa e acaba onde começam os Estados Unidos e o resto da Europa. Mas faz sentido. Se são sempre os primeiros a disparar onde é fácil ou consensual, também são mestres a esperar para ver como sopra o vento, em relação a assuntos que lhes possam chispar a pátina. Se amanhã tudo isto ainda não tiver tido o bom gosto de desaparecer e perceberem que afinal há dividendos a ganhar, aí sempre terão sido os primeiros a ter a opinião certa, as soluções, o nível requerido de empatia pela tragédia dos outros. E será sua a indignação mais justa e exemplar acerca do abandono do interior, e da indiferença insuportável das elites, que são sempre os outros, pois claro.
E se fosse tudo campo? É preciso criar galinhas para perceber a tragédia de um incêndio ou catástrofe natural? Quem diz barbaridades é porque está farto de ter de fingir que esta insignificância lhes interessa.
Quanto ao silêncio era o que mais faltava haver obrigação de se pronunciar sobre o que quer que seja.Mas é curioso o caso dos viciados no FOMO e na titilação, para quem a vida é o que acontece nos intervalos das redes sociais, que vivem das coceguinhas que as tragédias ou a coragem dos outros lhes dão, de olhos postos em todos os micro assuntos na esperança de serem os primeiros a dizer algo que pegue e gere aplausos. Para eles não há fait divers demasiado pequeno para uma opinião rápida, peremptória e definitiva - a não ser tudo o que caia nesse ângulo cego que começa no lado de fora de Lisboa e acaba onde começam os Estados Unidos e o resto da Europa. Mas faz sentido. Se são sempre os primeiros a disparar onde é fácil ou consensual, também são mestres a esperar para ver como sopra o vento, em relação a assuntos que lhes possam chispar a pátina. Se amanhã tudo isto ainda não tiver tido o bom gosto de desaparecer e perceberem que afinal há dividendos a ganhar, aí sempre terão sido os primeiros a ter a opinião certa, as soluções, o nível requerido de empatia pela tragédia dos outros. E será sua a indignação mais justa e exemplar acerca do abandono do interior, e da indiferença insuportável das elites, que são sempre os outros, pois claro.

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