Midlake, The Ghouls




“Wasn't all in your head / This will happen again / World without end / again // This may not be for you / Maybe ordinary suits the ghouls / In the eyes of a fool / Lay the ends of earth for all the ghouls”

O fogo

“eis a travessia deste coração de múltiplos nomes: vento, fogo, areia, metamorfose, água, fúria, lucidez, cinzas. ardem cidades, ardem palavras. inocentes chamas que nomeiam amigos, lugares, objectos, arqueologias. arde a paixão no esquecimento de voltar a dialogar com o mundo. arde a língua daquele que perdeu o medo.”

Al Berto, “Atrium” em À Procura do Vento num Jardim d'Agosto

O fogo

“we sleep indecently. (...) He pronounces my name the way used in the beginning, before all other uses, before it was worn thin by being passed from mouth to mouth”

Milorad Pavic, Dictionary of the Khazars

Álbuns | Sufjan Stevens, The Age of Adz

Há álbuns, livros e filmes a que voltamos com frequência e que têm sempre conforto e sossego para dar. E há álbuns, livros e filmes de que nos aproximamos com cuidado, com intervalos conscientemente longos, porque nos deixam num estado de espírito intenso e catártico mas insustentável a longo prazo, que facilmente confunde sentimentalismo com profundidade, histrionismo com coragem, o que for. The Age of Adz, do Sufjan Stevens, é um desses álbuns para mim. Ando a rondá-lo mais uma vez e escolho não o ouvir, mas dava muito para estar esta noite novamente no concerto deste disco, no Coliseu de Lisboa, em que observei a intensidade, as asas e néons de Stevens com uma distância emocional curiosa, ao mesmo tempo que noutro canto qualquer do espírito aquilo ficava guardado para mais tarde. Um concerto com quinze anos que encontra hoje a sua concretização. As noites de Domingos são sempre curiosas.