“Se te apetecia, podias ter pedido o último gomo da laranja” diz ele, generoso como sempre. Respondo-lhe que faz parte da minha filosofia de vida que nunca se fica com o último bocado de comida de outra pessoa, a não ser que seja oferecido por vontade espontânea, sem qualquer tipo de pressão explícita ou implícita ou sentido constrangido de obrigação. Ele diz-me que sempre fui muito séria com a comida. Digo que não sou séria, sou Walseriana
Tem graça, saiu bem, mas depois admito que imagino Walser exactamente como o tipo de pessoa que se deliciaria a roubar a última batata frita a alguém. Mas continuo a dizer que não sou séria com a comida. Sou só uma lambareira com príncipios.

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