Na cidade
biblioteca concreta da
memória, da razão, do negócio
da explicação dos milagres
entra pelos museus
concretização de uma vontade
de listas, catálogos, ordenações
onde se constrói uma navegação
possível e nunca sensata do caos
e a beleza concede
argumentos, consolo,
cumplicidade
irónica e perplexa com
tanta adoração.
Na cidade
domínio do monumento
em que o corpo se sustenta
nos desenhos da calçada
e nos reflexos das montras
em suspensão
de óperas e escapes
de horas de ponta
entra pelas catedrais
onde se transfigura
a loucura culta da interpretação
no ritmo iluminado e repetido
das abóbodas e do canto
e o sagrado (que pertence
antes de mais à alegria do corpo)
encontra a linguagem
da pedra e do pigmento
que repercute
os seus breves clarões.
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