Chegámos demasiado cansados a Cahors, num início de Setembro, depois de fazermos três viagens de carro de dia inteiro (Madrid - Lisboa, Lisboa - Madrid e Madrid - Cahors) num espaço de sete dias. Também não ajudou que no ano anterior tivéssemos visitado a zona dos Hautes-Pyrénées, impressionante e muito verde, e com a sorte de um bom tempo excepcional. Quando finalmente chegámos, finalmente de férias, a Cahors, pareceu-nos tudo muito seco e sem glória, especialmente com o tempo feio e carregado que nos esperava, e a cidadezinha também não impressionou.
Mesmo assim guardo esta memória das margens do rio Lot ao longo da cidade. Gosto muito destas zonas onde a vegetação nas margens de um rio se torna muito densa e mergulha na água sem margens, porque nasce aí uma combinação de verde-escuro e cinzento de chumbo que tem uma qualidade própria de silêncio. E apesar de não gostar de tempo nublado e pesado sem o alívio da chuva, potencia essas cores saturadas e escuras onde vegetação e rio se encontram, e a sensação de quietude.
De resto aproveitámos as manhãs de chuva (bem melhores que as tardes cinzentas e abafadas) para descansar. Acordava muito cedo e sentava-me no páteo, abrigada sob o alpendre, a ver chover e a remoer a semana demasiado cheia e um pouco alucinada que precedera estas férias, antes de voltar para a cama por mais um bocado. Sabia bem o fresco da chuva na pele, e o bule de chá sobre a mesa, e que soubesse bem um casaco depois dos meses de verão madrileno infernal, e os primeiros sinais de Outono nos carvalhos que rodeavam a casa. Sabia bem também essa indulgência de férias e de França, de comer coisas disparatadas ao pequeno-almoço. Foi o começo da história de amor com o Paris-Brest, com demasiados Paris-Brest, entre demasiados canelés de Bordeaux, e demasiados palets bretons, e é uma sorte ter resistido, mesmo no fim das férias, àquela caixinha gloriosa que tinha 80% chantilly e 20% profiteroles, e olhem que não eram poucos profiteroles. Mas já lá voltamos.
Mesmo assim guardo esta memória das margens do rio Lot ao longo da cidade. Gosto muito destas zonas onde a vegetação nas margens de um rio se torna muito densa e mergulha na água sem margens, porque nasce aí uma combinação de verde-escuro e cinzento de chumbo que tem uma qualidade própria de silêncio. E apesar de não gostar de tempo nublado e pesado sem o alívio da chuva, potencia essas cores saturadas e escuras onde vegetação e rio se encontram, e a sensação de quietude.
De resto aproveitámos as manhãs de chuva (bem melhores que as tardes cinzentas e abafadas) para descansar. Acordava muito cedo e sentava-me no páteo, abrigada sob o alpendre, a ver chover e a remoer a semana demasiado cheia e um pouco alucinada que precedera estas férias, antes de voltar para a cama por mais um bocado. Sabia bem o fresco da chuva na pele, e o bule de chá sobre a mesa, e que soubesse bem um casaco depois dos meses de verão madrileno infernal, e os primeiros sinais de Outono nos carvalhos que rodeavam a casa. Sabia bem também essa indulgência de férias e de França, de comer coisas disparatadas ao pequeno-almoço. Foi o começo da história de amor com o Paris-Brest, com demasiados Paris-Brest, entre demasiados canelés de Bordeaux, e demasiados palets bretons, e é uma sorte ter resistido, mesmo no fim das férias, àquela caixinha gloriosa que tinha 80% chantilly e 20% profiteroles, e olhem que não eram poucos profiteroles. Mas já lá voltamos.



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