Personagens sem conto, seminaristas

Fui abordada por uma alminha fremente de emoção porque se convenceu que era um lobo mau. Disse-lhe que sim e deixei-o ir, de alma lavada e a brilhar de auto-estima. Mais fácil que explicar que o mundo não parou na adolescência dos rapazinhos que se acreditam anti-heróis intelectuais e morais. Ou ainda mais difícil de explicar: que no reininho não há lobos maus, só aspirantes pífios a Sócrates ou Diógenes; uma espécie de rejeitados do seminário que até uma igreja esclerosada, onde procurariam abrigo contra o mundo que os ilude e frustra, acharia vagamente sinistros, e chatinhos na sua pequenez de aduladores pouco hábeis.

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