Há álbuns, livros e filmes a que voltamos com frequência e que têm sempre conforto e sossego para dar. E há álbuns, livros e filmes de que nos aproximamos com cuidado, com intervalos conscientemente longos, porque nos deixam num estado de espírito intenso e catártico mas insustentável a longo prazo, que facilmente confunde sentimentalismo com profundidade, histrionismo com coragem, o que for. The Age of Adz, do Sufjan Stevens, é um desses álbuns para mim. Ando a rondá-lo mais uma vez e escolho não o ouvir, mas dava muito para estar esta noite novamente no concerto deste disco, no Coliseu de Lisboa, em que observei a intensidade, as asas e néons de Stevens com uma distância emocional curiosa, ao mesmo tempo que noutro canto qualquer do espírito aquilo ficava guardado para mais tarde. Um concerto com quinze anos que encontra hoje a sua concretização. As noites de Domingos são sempre curiosas.

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