“E manhã após manhã, por toda a imensa cidade húmida e triste e nas colónias de barracas de caixotes nos terrenos dos subúrbios, jovens estavam a acordar para mais um dia vazio sem trabalho a ser passado como melhor pudessem imaginar: a vender atacadores de botas, a mendigar, a jogar dados no átrio do Centro de Emprego, dando voltas pelos urinóis, abrindo portas de carros, ajudando a carregar caixotes nos mercados, na má-língua, a mandriar, a roubar, à escuta de dicas sobre apostas das corridas, a partilhar pedaços de pontas de cigarro apanhadas na sarjeta, a cantar canções folclóricas, a troco de umas moedas, em pátios e nas carruagens de metro, entre estações. Depois do Ano Novo nevou, mas a neve não se manteve no chão, por isso não podiam ganhar dinheiro a varrê-la. Os lojistas batiam com as moedas no balcão com receio dos falsificadores. O astrólogo de Fräulein Schroeder previu o fim do mundo.”
Christopher Isherwood, Mr Norris Muda de Comboio
“O astrólogo da senhoria previu o fim do mundo” parece mesmo uma frase de quem escreve do lado de cá e sabe o que foi a Segunda Guerra, usada para pôr na boca do narrador uma premonição acidental. O livro de Isherwood é de 1935. Talvez tenha havido uma premonição acidental, sim.
Christopher Isherwood, Mr Norris Muda de Comboio
“O astrólogo da senhoria previu o fim do mundo” parece mesmo uma frase de quem escreve do lado de cá e sabe o que foi a Segunda Guerra, usada para pôr na boca do narrador uma premonição acidental. O livro de Isherwood é de 1935. Talvez tenha havido uma premonição acidental, sim.
Sem comentários:
Enviar um comentário