Releio Mr. Norris Muda de Comboio, de Christopher Isherwood, que tinha lido há tantos anos que já não me lembrava de nada. É daquelas leituras que mistura em quantidades justas ser interessante e bem escrito, e ser leve e muito fácil de ler — um livro bom para alturas de preguiça mental, mas em que não se quer pôr em risco o hábito da leitura.
(Já se sabe é que ler em edições portuguesas é sempre um risco, em termos de qualidade de edição e tradução, e aqui não foi excepção, apesar de geralmente ter bastante boa impressão da Quetzal. Quando cheguei a “[ela era] dura como unhas”, já nem me indignei, era tão óbvia desde a primeira página a tradução literal do inglês, palavra por palavra. Pelo menos não é uma (má) tradução de uma tradução, como acontece tantas vezes em Portugal com línguas menos comuns, sem que a edição tenha a probidade de o indicar. Em pelos menos dois livros da Dubravka Ugrešić, publicados pela Cavalo de Ferro, é muito óbvio que a tradução portuguesa é feita sobre a tradução inglesa. Enfim.)

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