Manhãs de Verão em Espanha são para ler Federico Garcia Lorca. Descobri-o na biblioteca de um tio, feita dos livros que já não lhe cabiam em casa, na casa da minha avó, e na minha cabeça a Andaluzia confunde-se com a Beira-Baixa no Verão, com a terra muito seca, as oliveiras e o sol sem misericórdia que imagino parecidos. Lia-o depois de almoço quando todos dormiam a sesta, nos cantos mais frescos da casa em silêncio, ou cá fora sob a tília na companhia das cigarras, se o calor e a luz o permitissem. Aqui, tão longe da Andaluzia como da Beira-Baixa, às vezes pelas horas do calor e com a casa na penumbra, cheira à aldeia dos meus avós no Verão, a terra seca, a azeitonas que amadurecem nas oliveiras. E quase podia imaginar um 𝘨𝘪𝘵𝘢𝘯𝘰 lá ao longe a cantar.

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