O entusiasmo de um escritor por outro sempre foi a melhor recomendação (já devo ter dito aqui que ler o que Woolf escreve sobre Austen dá-me mais vontade de ler Austen do que ler Austen alguma vez me deu; e que foi por Borges que descobri Stevenson e Meyrink), mas ler Canetti quando escreve sobre os escritores que ama é uma experiência que, embora menos informativa, transcende as outras recomendações de escritores-leitores. Acompanhamos-lhe a alegria quando descobre que afinal não é o único maluco a pensar aquilo, o alívio da justificação, os manuais de escrita implícitos e disponíveis nas obras a que se apega. A experiência de escritor-leitor de Canetti é uma enciclopédia de gratidão: “Às vezes, leio vinte ou trinta páginas suas [de Sthendal] e acredito que vou viver para sempre.”
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