“— O que dizem?
— Que no teu país podias, se quisesses, realizar prodígios, dominar o ar, o fogo; isto dizem aqui em Corinto. Têm medo de ti.
— Têm medo?
— Sim, como se tem de uma feiticeira. Perdoa-me, mas digo isto na esperança de te ajudar, de te conduzir...
— ...de regresso à magia. Há mais de dez anos que estou longe do meu país.
— Mas continuas a ser quem eras.
— Não, sou agora outra criatura, que se esqueceu de tudo. O que era realidade agora não o é.
— Mas talvez, se quisesses, pudesses lembrar-te do teu deus.
— Não. Mas talvez tenhas razão. Continuo a ser quem era: um vaso cheio de um saber que não é meu.”
Medea, Pier Paolo Pasolini
— Que no teu país podias, se quisesses, realizar prodígios, dominar o ar, o fogo; isto dizem aqui em Corinto. Têm medo de ti.
— Têm medo?
— Sim, como se tem de uma feiticeira. Perdoa-me, mas digo isto na esperança de te ajudar, de te conduzir...
— ...de regresso à magia. Há mais de dez anos que estou longe do meu país.
— Mas continuas a ser quem eras.
— Não, sou agora outra criatura, que se esqueceu de tudo. O que era realidade agora não o é.
— Mas talvez, se quisesses, pudesses lembrar-te do teu deus.
— Não. Mas talvez tenhas razão. Continuo a ser quem era: um vaso cheio de um saber que não é meu.”
Medea, Pier Paolo Pasolini
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