Help, help!

“Coro — Não, nunca, jamais, enquanto nos restar um sopro de vida. Bem claro vejo as tuas aspirações à tirania.
Bdelicleon — É de mais! Por tudo e por nada, seja grande ou pequeno o motivo, a tudo temos de chamar tirania e conspiração. Durante cinquenta anos, nem uma só vez ouvi esse ditoso nome de tirania; mas agora é mais comum do que o peixe salgado, e no mercado não se ouve outra coisa. Se alguém compra besugos em vez de sardinhas, o vendedor destes peixes no balcão ao lado grita imediatamente: «Este homem quer regalar-se como durante a tirania.» Se outro pede alhos-porros para temperar as suas anchovas, a vendedeira, olhando-o de soslaio, diz-lhe: «Alhos-porros, eh? Queres restabelecer a tirania?»”

Aristófanes, As Vespas


A minha série “a contemporaneidade é antiga” não chega para isto, tem mesmo de ser “a humanidade já é a humanidade há muito tempo”. Também posso remeter-me aos Monty Python, que nisto são um pouco como os Gregos: já estava tudo lá.


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