Dá-lhes, Marias (confia no texto, IV)

“...disse em muitas ocasiões que a lingua em que se escreve é importante, mas é secundária. Como chegou a essa conclusão? 
Traduzi durante muitos anos, e traduzi coisas muito difíceis. Dos séculos XVII, XVIII, XIX e XX, poesia, romance, ensaio. Alguém que traduz e que acredita que tudo se pode traduzir, que é uma questão de talento, de paciência, dá-se conta de que as línguas são importantes, mas são um elemento secundário. Proust poderia ter escrito em italiano, quem sabe em inglês. Cervantes poderia ter escrito em inglês, e a prova é que os seus maiores seguidores são de língua inglesa, desde [Laurence] Sterne, de quem traduzi Tristram Shandy, até Dickens. Nos séculos seguintes, teve mais seguidores em Inglaterra do que em Espanha. O seu Quixote foi traduzido para inglês em 1612, foi a primeira tradução do livro, apenas sete anos depois de ter aparecido o primeiro volume, em 1605.”


Entrevista a Javier Marías, já não sei onde

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