É provavelmente uma ideia abusiva, até porque estou a inventar auto-biografia onde não tenho razão para a supor, mas pergunto-me se o percurso de Amélia, no final de O Sermão do Fogo, tem alguma coisa que ver com a própria Agustina. É descrito o caminho interior de quem percebe que a facilidade em espreitar o coração dos outros, as motivações e medos escondidos, não é afinal nenhuma via-rápida para a sabedoria, mas pode bem ser uma via-rápida para mesquinhez. E que é preciso aprender a sair do outro lado dessa armadilha: o lado da graça (concedida e aceite), a escolha de um humanismo que prescinde da superioridade moral e do “direito” à mesquinhez e sobranceria que essa capacidade de visão justificaria. Não sei se é a história de uma vocação do olhar até chegar à escrita mas, talvez com algum romantismo, imagino que poderia ser.
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