Silêncio

Não paro de pensar naquele anoitecer no sopé da montanha depois da chuva, na permanência daquele silêncio; passo a semana a sonhar com o regresso àquele lugar, àquela hora. A memória e o seu papel na experiência do presente é um dos meus temas, e a Cidade outro — mas antes de tudo há o silêncio. É o apelo do espírito de monja — que pensa melhor com os pés em andamento, que ama a cidade luminosa dos museus e livrarias e a cidade dúbia dos portos e das caves de Jazz do Margarit e do Vasco Graça Moura, monja de libido apócrifa e sensualidade de abismo, do corpo no mar como modo de expressão, monja apócrifa e apóstata, mas monja. De golpe luminoso, de êxtase na pele e silêncio no coração.

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