Uma carta no Inverno

Ainda não é Inverno mas é a leitura certa para o primeiro fim de tarde de Domingo depois da mudança da hora, com o tempo lá fora muito feio e pesado, e sem o alívio da chuva. Sonho com longos passeios em estradas por sítios meio desolados mas que ainda assim alimentam, vistos do lado de dentro do carro onde há música, e o céu abre um pouco para um pôr-do-sol melhor do que imaginava, enquanto voltamos a casa depois de ver o mar. Aqui não há mar, lareira ou sequer um gato que convidem à melancolia com um quase fundo de alegria; mas tenho a companhia de Vasco Graça Moura e da sua longa carta no Inverno, com Bizâncio e Yeats a acenar lá do fundo, e o Clifford Brown e o Max Roach em repetição pela tarde dentro.

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