É lembrar-me que pelo meio dos absurdos e parvoíces existe ainda a possibilidade da alegria, praias desertas, uma passagem de Camus sobre Tipasa, uma certa Lisboa, Londres, os livros, Kavafis, Uma Carta no Inverno e Nocturno de Malmö do V.G.M., Return to the Moon dos El Vy, Astor Piazzolla, Musil, cerejas, Woolf, entardeceres de Verão, museus, um verniz rosa-claro com brilhos dourados, igrejas e capelas onde há silêncio e luz, aquele rio de xisto e verde escuro, o pinhal atrás da casa da minha avó, livros de arte, poemas sobre gatos. Não sou só o puro corpo de visão e testemunho que reconheci na minha primeira praia; sou um instrumento de êxtase e celebração.
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