Lisboa | Dezembro 2016
Danço sozinha, por dentro, ao descer a Avenida da Liberdade em época de Natal. Danço sozinha, deixei para trás quem pesa, sabendo que espera por mim do outro lado do rio quem me dá calor de aconchego e céus abertos. Danço e canto na minha cabeça porque os dias minguam mas vem aí a Luz, e porque mesmo os néons frios que agora tentam passar por luzes de Natal não diminuem o calor próprio de Dezembro e dos presépios que já não se vêm na rua mas vivem, cada ano um pouco maiores, na minha e em algumas outras salas de família. Danço no reflexo que me segue de vitrine em vitrine, onde se notam já as primeiras marcas da idade e do desencanto, mas também a luz de cada recomeço e reencontro, e o meu bato escuro é uma celebração, porque vejo nesses reflexos uma centelha que, afinal, ainda nunca me abandonou. Danço sozinha, por dentro, ao descer a Avenida.

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