Tuesday, March 5, 2019

"A máscara é o mundo que nos rodeia"

© Teresa Pacheco Miranda | Público


A máscara "existe em todo o lado do mundo". Mas nesta zona do país as máscaras são descaradas, ajudam a revelar barreiras de comunicação com o Litoral, esse privilegiado. "Os caminhos vão afunilando", explica. "Para entrar em Lisboa temos cinco ou seis auto-estradas, com várias faixas em cada uma. E depois os caminhos vão estreitando, estreitando, estreitando até que aqui chegamos. Aqui há alcatrão desde que se fizeram as barragens. Antes havia caminhos de terra batida para burros."
Carlos Ferreira, guardião das máscaras de Sendim: "A máscara é o mundo que nos rodeia" (Público | 05.03.2019)

Sunday, March 3, 2019

Ariadne (II)


Esboços (2018)

Ariadne (I)




2006

Identidade


2018


Sinto um certo desconforto ao olhar para estas imagens, porque ao mesmo tempo que são mais do mesmo (a minha antiga e persistente incapacidade de me desdobrar), também não sei até que ponto ainda me reconheço nelas - não sei, na verdade, se me reconheci nelas sequer no momento em que as tirei. Provavelmente sim, e distorço a minha memória dessa noite à luz desta espécie de desfoque, de indefinição, em que me sinto hoje. (E como não sei caminhar a direito, procuro um foco através das minhas máscaras.)

Sunday, February 3, 2019

à espera

Fala-se muito nos católicos, mas a ideia de que o corpo é a pior parte de nós, suja e inferior, é transversal, com mais ou menos nuances, a boa parte das religiões. São todas cegas, quando não vêem que o maior mal do corpo não é o vício, o excesso, a tendência para nos perdermos por ele, mas a sua fragilidade de casca de ovo: o facto absurdo e inevitável de que o veículo do nosso milagre e da nossa alegria se pode desfazer com um sopro.
Neste momento aguardamos um diagnóstico nos diga se escapamos à palavra de seis letras que é uma das maldições da família, reunidos à volta de alguém que ainda me é mais querido do que era (e era tanto!) quem esteve na origem da melhor coisa que já fiz, em termos académicos. Foi um trabalho para Bioética, chamado "Esperança e Realismo em Doenças Terminais", e chorei quando acabei de o escrever. Tenho dado por mim a rondá-lo, mas sem coragem de o reler, não sei à procura de quê, e a pensar que a vida nos devia deixar pôr uma redoma à volta de certas pessoas. Entretanto esperamos, e penso que há esperas a que nunca nos habituamos, por mais vezes que sejam repetidas.