Monday, June 5, 2017

Leitores

"Esta edição ambiciona servir simultaneamente o leitor leigo e o especialista. São conciliáveis?

A resposta é um sim enfático. Um especialista é apenas um leitor leigo mais tenaz (ou menos parcial). Estão ambos abrangidos por uma velha máxima aristotélica que todos os dias encontro comprovada: todos os homens desejam naturalmente saber. Nem sempre encontro comprovação de que esse desejo se queira relacionado com livros, é certo, mas não custa nada tentar."

Francisco Luís Parreira, em entrevista ao Ípsilon acerca da sua tradução para Português do Gilgamesh (02.06.2017)

Tradução II

"(...)  dê-se por favor aos suplício de imaginar uma versão em prosa das Elegias do Duíno ou do Cimitière Marin. Chamar-lhe-ia tradução? Parece-me que soluções desse tipo padecem de dois pecados: orçam por cima a boa-fé do leitor e acumulam capital autoral na pessoa do tradutor, que desse modo se deixa equiparar a uma espécie de paraíso fiscal da poesia."

Francisco Luís Parreira, em entrevista ao Ípsilon acerca da sua tradução para Português do Gilgamesh (02.06.2017)

Tradução I

"Não existindo um texto de partida pacífica e definitivamente estabelecido, esta não é uma simples tradução. O que procurou alcançar com as opções editoriais feitas?

(...) Para responder à sua pergunta: procurei, antes de mais, a melhor articulação possível de fontes que provêm de lugares, línguas e até milénios diferentes, e que são incompletas e, muitas vezes, mudas quanto ao seu lugar e relevância. "Melhor" significa aqui: inteligível quanto à narrativa e correspondendo a uma aproximação ideal das intenções do compilador babilónio." 

Francisco Luís Parreira, em entrevista ao Ípsilon acerca da sua tradução para Português do Gilgamesh (02.06.2017)

Erudição

"Contrariando uma tendência de anos recentes, exemplificável com algumas traduções de Homero feitas por Frederico Lourenço, optou por uma tradução e por uma edição ostensivamente eruditas. Porquê?

(...) Mas permita-me que conteste a sua ideia de uma tendência recente, tal como a descreve. Estou inclinado a supor que essa tendência pertence mais ao foco mediático do que aos factos. Acabei de ler, por exemplo, uma edição recente, da Gulbenkian, dos Textos da Literatura Egípcia do Império Médio, da autoria de Telo Ferreira Canhão, e recordo como exemplo de como ler e editar um texto a edição dos professores Mário Jorge de Carvalho e Nuno Ferro do maravilhoso texto de Kierkegaard, Adquirir a sua Alma na Paciência, na Assírio & Alvim.
São traduções eruditas, no sentido que evoca, e relativamente recentes; apesar de extraordinárias, e de se aprender mais com elas do que com um trimestre inteiro de edição industrial, creio que nenhuma delas mereceu qualquer menção na crítica impressa. Espero entretanto que a tendência de que fala não resulte na depreciação do que é "erudito". Embora não tenha um amor excessivo a essa palavra, assinalo que certos textos, para se revelarem, precisam de uma conversa prévia ou periférica e de alguém que se coloque em situação de iniciá-la. Eu, por exemplo, ainda hoje não sei que canção cantaram as sereias a Ulisses e bem gostaria que houvesse alguém a dizer-mo."

Francisco Luís Parreira, em entrevista ao Ípsilon acerca da sua tradução para Português do Gilgamesh (02.06.2017)

Wednesday, May 3, 2017

My Brightest Diamond | Soirée de Poche #46



"It’s so hard, it’s so heavy
To be hungry, to be happy
It’s so light, it’s so easy just to be

(...)

Be brave dear one
Be changed or be undone
Be brave dear one
Be changed, be changed, be changed
Changed"