Sunday, January 29, 2017

The bookshop at night

The Bookshop at night
The Bookshop at night
Lisboa | Janeiro 2017


Gosto de espreitar as montras das livrarias à noite, e tentar surpreender os livros nos seus diálogos secretos. A Paula perguntou-me se ouvi alguma coisa - eu acho que eles chamam sempre por quem os escuta com atenção.

I love peeking into bookshop windows at night, trying to surprise the books at their secret conversations. Paula asked me if I heard anything - I think they always call those who are willing to listen carefully.

Pavilhão Chinês

Pavilhão Chinês
Pavilhão Chinês
Pavilhão Chinês
Classic self portrait
Lisboa | Janeiro 2017

Terra

Lisboa | Dezembro 2007


   Associo o Terra, restaurante vegetariano escondido perto do Príncipe Real, a férias e ocasiões especiais, a passear devagar em sentido contrário a quem sobe para a noite, e a noites que se querem longas. O buffet, variado e bem conseguido, é uma prova de que a comida vegetariana não tem de ser nem chata nem pretensiosa. É uma questão de entusiasmo e bons temperos, e o Terra tem-nos, acho eu, a ambos. É um lugar para comer devagar, provar de tudo, para para conversar um bom bocado depois da refeição ter acabado e aproveitar o ambiente, que vale só por si, muito acolhedor e tranquilo, com um bom gosto na selecção e volume da música que é raríssimo hoje em dia.
   Lembro-me que fui lá pela primeira vez numa noite quase no fim do ano, numa altura em que a vida estava a mudar e a melhorar muito, e sentia uma alegria optimista mas serena em relação ao novo ano, o que não é de todo alheio ao tipo de relação que criei com o restaurante. Regressar ao Terra é também regressar a esse fogo interior e a essa sensação de possibilidade, e é sempre o começo de noites que se adivinham longas e especiais.

Janeiro

This year I was a very happy birthday girl
Lisboa | Janeiro 2017


O meu mapa interior de Lisboa é (como serão os mapas interiores de toda a gente), pequeno, incompleto, feito de omissões estratégicas, lacunas incompreensíveis e repetições sentimentais. Outros aniversários tiveram no seu centro outras raízes; mas neste ano em que trabalho num lugar demasiado inho, e em que o meu contacto com a cidade se resume a aulas cansadas ao fim do dia e ao caos insustentável do metro, quis voltar com tempo à Cidade que está no coração das minhas Raízes Imaginárias - mesmo com o dito metro, as obras intermináveis, os mares de gente. Tenho até saudades de cortar caminho a custo entre a multidão na Baixa, para não perder o barco.
Assim, nos meus anos voltei aos caminhos e rituais que nunca me canso de repetir. Jantei no Terra e passei uma noite no Pavilhão Chinês a conversar sobre o que 2017 nos poderá trazer; desci o Bairro Alto, devagar e em sentido contrário; comentei pela milionésima vez como São Pedro de Alcântara à noite me lembra um quadro do Renoir; passeei na Sá da Costa; jantei sozinha num dos meus cantos favoritos da Baixa, como sempre na esplanada, a ler, irredutível contra um dos dias mais gelados do ano. E cada regresso é respirar um pouco mais fundo, ter um pouco mais mundo.

Thursday, January 5, 2017