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Thursday, January 3, 2019

Friday, January 5, 2018

Winter tales of a January girl (I) Pergulho



Dias de Inverno, cheios de árvores, céus cambiantes, aquele silêncio que só se encontra no campo, muita escrita e muita fotografia, riachos criados pela chuva, olhos rentes ao chão de erva, musgo e xistos, chuva e vento que uiva, lareira, dormir em frente à lareira, muito Tom Waits, muito chá, vinho quente com especiarias, pequenos tesouros e memórias de família, um xaile da Avó e um xaile novo, demasiada comida e tanto, tanto mais.

Winter days, full of trees, changing skies, silence, writing, little brooks created by rain, details of grass, moss and shale. Rain and howling wind, a fireplace, lots of music by Tom Waits, hot tea and mulled wine, little family treasures and memories, way too much food, and so much more.




Saturday, November 25, 2017

A Casa Velha

A Casa Velha | The Old House
A Casa Velha | The Old House
A Casa Velha | The Old House
Pergulho | Março 2008

A Casa Velha

A Casa Velha | The Old House
Untitled
Untitled
Pergulho | Março 2008

Pergulho | A Casa Velha

Untitled



Apesar de não haver voyerismo na intenção, há sempre um certo prazer de transgressão ao entrar pela primeira vez numa casa abandonada, a antecipação perante os tesouros, escondidos ao comum mortal, que posso estar prestes a descobrir e a revelar, eu própria feita arquitecta nas ruínas, trave-mestra da sua transfiguração em algo com significado novamente, por umas horas.
Esse prazer secreto, sussurrado, desvanece-se no segundo em que os pés trespassam o umbral de uma casa que seja nossa. O primeiro impacto não é o de um silêncio sagrado por se pisar o chão das raízes, não é um assombro - é apenas a desolação das paredes inúteis, das madeiras podres e do lixo profanador.
Fotografar as ruínas de uma casa, colar-me até, às suas paredes com um egocentrismo que admito, não me tem, facto, grande voyerismo. É a minha maneira de fazer memória, é a minha tentativa de dar voz às paredes feitas inúteis e silenciosas pela decadência e pelo esquecimento. Há, isso admito-o, um certo narcisismo, um prazer de me proclamar agente dessa "ressurreição de um minuto", de me fazer agente de vida, nem que seja numa ontologia de ruínas, do que já só tem existência por oposição ao que já foi e não voltará a ser. Mas sim, e para minha defesa, considero-o, acima de tudo, uma homenagem vinda talvez desta minha sede de raízes que me corre no sangue.
E no entanto, isso não atenua o sentimento de culpa, de profanação, ao fotografar a casa onde a minha mãe e os seus 9 irmãos e irmãs nasceram e viveram, que testemunhou a vida amarga e séria da minha avó, a história da minha família, pela parte do meu avô materno, por pelo menos quatro gerações. Há pouco consolo em saber que as fotografias que tirei encontram, pelo menos uma vez, o seu destinatário e a possibilidade real de fazer memória e honrar uma história e quem a viveu e vive, inclusivamente eu.
Dito isto, é impossível sacudir a sensação de que estas imagens, mais que quaisquer outras que já tirei, ficam muito aquém do testemunho que pretendem ser, do silêncio, solenidade e carinho que gostaria de lhes imprimir. É verdade que tive muito pouco tempo, que estava acompanhada, que o medo de cair pelo soalho podre era muito, e que acima de tudo, fotografar a ruína da casa em que a minha mãe nasceu, com ela presente foi, no mínimo, difícil.

Mas o que me custou mais não foi propriamente a ruína da casa (já anunciada e adivinhada) mas a decadência e falta de amor deixada pelo último inquilino, os restos de comida, as roupas e cobertores a apodrecer como ninhos de ratos, os objectos domésticos deixados para trás como que por um fugitivo, o lixo a sair pelos cantos mais sagrados: a cozinha, coração da família numa casa demasiado exígua e vergada de trabalho para ter sala de estar, e a cantareira, nicho com o cântaro de barro com água fresca e o púcaro de alumínio amolgado, omnipresentes, acarinhados e usados até na época dos frigoríficos.
Quero esvaziá-la, a casa velha, extirpar-lhe todo aquele lixo, sacrílego pela forma inevitável e impertinente com que se anuncia, como se nos dissesse que a casa agora lhe pertence, a esse reino em que as coisas se extinguem sem memória, quando a degradação se torna banal.Custa-me tirar-lhe os últimos vestígios de vida, do quotidiano que faz permanência nos gestos fugazes e nos objectos do dia-a-dia; é como tirar-lhe, a ela e a mim, o coração, condená-la a viver mais tempo (espero que sem a porcaria apodreça um pouco mais devagar), mas naquela espécie de imortalidade que só têm as coisas desprovidas de vida. - Mas acima de tudo que ela se aguente o mais possível. Eu ainda não perdi a esperança romântica de um dia vir a ter meios para a recuperar, nem que só reste deitar as ruínas abaixo e reconstruí-la quase de raiz.

(O texto é de 2008. A Casa Velha foi recuperada por familiares o ano passado, e eu não podia estar mais grata*)



A Casa Velha | The Old House

Em busca do invisível | Looking for the invisible (III)

Pergulho | Maio 2016

Em busca do invisível | Looking for the invisible (II)

Pergulho | Maio 2016

Em busca do invisível | Looking for the invisible (I)

looking for the (almost) invisible
Pergulho | Maio 2016

Sunday, March 13, 2016

Spring

Spring
Spring
Spring
Spring
Serra do Louro | Fevereiro 2012

Spring

Jardins da Gulbenkian | Março 2007



Sunday, August 9, 2015

Saturday, August 8, 2015

Malhadal

malhadal
malhadal
malhadal
malhadal
Malhadal | Julho 2015


Malhadal is a special place. Incredibly quiet in the Winter, there's something of that stillness that holds even in the Summer, when the river pool is full of happy, chattering people. It has dense, dark green vegetation that dives straight into the water, and it's an immense pleasure to swim there, eyes very close to the water surface that mirrors the dark trees and, at the same time, shines bright with thousands of tiny stars of reflected sunlight.

Wednesday, July 29, 2015

I've been watching the night sky

I've been watching the sky
I've been watching the sky
I've been watching the sky
I've been watching the sky
Pergulho | Julho 2015


Pergulho, my mother's tiny village, is one of my favorite places on earth. It's very humble and unassuming, but I love its pine trees & shale woods, the winter brooks made by the rain, its old houses, its silence. It's also home to this special library and this place that I love.
And above all this, it has a vast sky that becomes immense by night, beautiful beyond words, so full of stars impossible to see in the city, planes silently roaming in the distance, and the milky way so clearly visible. It has witnessed countless family conversations, even in the dead of Winter, because we simply can't resist it.