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Friday, August 24, 2018

Saturday, June 30, 2018

British Museum (III) Monumento das Nereides

British Museum | The Nereid Monument
British Museum | The Nereid Monument
British Museum | The Nereid Monument

British Museum (II) Partenon

British Museum | The Parthenon Sculptures

British Museum | The Parthenon Sculptures

British Museum

Ao pensar na minha relação com as cidades cheguei à conclusão de que os museus são uma das minhas portas de entrada para uma cidade desconhecida, uma das primeiras coordenadas no mapa interior que vou formando. Londres não foi excepção, e conto o dia que passei sozinha na National Gallery, com a sorte de apanhar uma exposição temporária de Degas, e os meus primeiros impressionistas (sim, comecei a viajar tarde, sim, ainda está praticamente tudo por ver) como um dos mais felizes dos últimos anos.
Também tenho um carinho especial pelo British Museum, porque a Grécia Antiga (e depois, aos poucos, o resto do mundo antigo) foi o meu primeiro amor. Não tenho a certeza do que penso sobre a quantidade de obras que não estão nos países de origem, mas não posso negar que me emociono e agradeço a possibilidade de ver peças a que, de outra maneira, não teria acesso - inclusivamente algumas que se ainda estivessem no país a que pertencem, talvez já tivessem sido dinamitadas... Não tenho respostas definitivas para nada disto. Sei apenas que não estou disposta a menorizar o maravilhamento e a alegria que senti quando vi pela primeira vez um elmo grego, ou as esculturas e frisos do Parténon, ou o Monumento das Nereidas, que me apanhou de surpresa e me deixou muito próxima das lágrimas. Lembro-me que estive sentada durante muito tempo no banco em frente ao templo, sem vontade de tirar os olhos da escultura central, que me ensinou mais acerca do movimento, da dança e da alegria do corpo, que qualquer discoteca. Lembro-me do sentido de ritmo dos frisos do Parténon, quase musicais nas suas repetições e variações. 
E lembro-me de olhar para aquelas esculturas e reforçar a minha suspeita de que as ideias e temas fundamentais da humanidade, no fundo, são os mesmos quase desde sempre, e que boa parte da cultura, desde a antiguidade, é um conjunto cada vez mais complexo de iterações, desvios e explorações sobre um conjunto de ideias mais ou menos fixo.* Era uma piada recorrente, na licenciatura de Filosofia, que não há nenhum assunto que não tenha sido já tratado - e melhor - por Platão; e sem querer reduzir dois milénios e meio de cultura ocidental a um "é derivativo", o que seria incrivelmente redutor e injusto, é difícil olhar para as esculturas gregas no British Museum e não pensar que, de certo modo, já ali está dito tudo o que se pode dizer.*
De qualquer modo, uma das melhores iterações desse "tudo que já foi dito antes" está provavelmente, no que toca à escultura, em Rodin, que têm por estes dias uma exposição no British Museum, em diálogo com a escultura grega clássica. Eu queria tanto estar lá, mas não vai dar; ficam então as fotografias que tirei nas minhas visitas. São a minha iteração pessoal desse essencial - elas sim provavelmente muito derivativas e batidas, mas dão de beber à sede e à saudade. À falta de um bilhete de avião, é melhor que nada.

*Ando também a brincar com a teoria de que, se um dos desafios mais problemáticos da modernidade é a destruição da tradição, sem uma reflexão aprofundada acerca da possibilidade de manter os valores de uma cultura sem manter as raízes que lhe deram origem; então um dos desafios mais problemáticos da pós-modernidade é o "excesso interpretativo" que corta qualquer possibilidade de relação com símbolos originais: agregações "puras" de sentido, cuja simples nomeação traduz a sua complexidade, mas que se escondem e se turvam assim que se tentam analisar. Acho que uma parte significativa da arte contemporânea é paradigmática desta incapacidade de ligação com o essencial (num sentido filosófico, não valorativo), de uma espécie de horror ao directo, que a leva a assumir muitas vezes uma pose tão dependente de uma complexidade exponencial, que se aproxima do obscurantismo voluntário. (Esta ideia é um esboço, e sei que só estou a dizer mal algo que de certeza já alguém disse muito melhor que eu, portanto não me batam muito, ok?)
* Mas, por outro lado, não está de certa maneira "tudo dito" em cada obra de arte?



British Museum | The Parthenon Sculptures
British Museum | The Parthenon Sculptures

Sunday, January 7, 2018

Chá

Birthday & tea
Birthday and tea

Duas das prendas mais bonitas que recebi este aniversário foram acerca do chá: o clássico "Livro do Chá", de Kakuzo Okakura, e um conjunto de bule e chávena lindíssimo do Museu Victoria & Albert. Tão grata e feliz pelas pessoas que me acompanham e acarinham.

This birthday was all about tea, with the classic "Book of Tea" by Kakuzo Okakura, and a beautiful tea pot & cup from the Victoria & Albert Museum. I'm thankful and happy.

Wednesday, November 15, 2017

National Portrait Gallery

National Portrait Gallery | London
Londres | Abril 2017


Ainda em relação à National Portrait Gallery, tenho de destacar este conjunto de retratos de reis e rainhas inglesas. Gostei imenso deles, mas quanto mais olhava para os quadros mais me parecia que havia uma quantidade anormalmente grande de retratos com os olhos nitidamente tortos! Seria intencional? Havia assim tantos reis vesgos? A informação junto da obra não referia nada acerca da questão e ainda por cima visitei o museu sozinha, pelo que tive de me conter para não puxar um desconhecido pela manga só para lhe perguntar se via o mesmo que eu.
Achei muita piada a esta sobreposição de solenidade com humor, e quando cheguei a casa tentei encontrar mais informação. O site do museu tem uma página bastante completa acerca da obra, que terá sido realizada entre 1590 e 1610, por vários autores; e junta os retratos de um desses pintores num grupo chamado "The 'Crooked Eye' Group". Eu acho que há mais retratos com olhos tortos fora desse grupo, mas ainda assim deixo a explicação fornecida pelo site, onde é também possível ver os retratos em tamanho grande:

"In both images the king is depicted with slightly crooked eyes. There is no documentary evidence that he looked like this in reality. Instead, it is likely that this design was ultimately based on a forward-facing image of the king in a medieval manuscript illustration in which his eyes were depicted in this way unintentionally. King John’s eyes are also slightly crooked, possibly because the artist found it difficult to paint a face in a half-profile position."

National Portrait Gallery | Londres

National Portrait Gallery | London
National Portrait Gallery | London
National Portrait Gallery | London
National Portrait Gallery | London
National Portrait Gallery | London
National Portrait Gallery | London
Londres | Abril 2017


Desconfiava que este ia ser dos um dos meus museus favoritos em Londres e assim foi. Gosto muito de retratos e sabia que ia encontrar aqui alguns que faziam parte da minha lista; além disso gostei muito do próprio espaço, tanto pela sua decoração e organização interior, como pelo facto de ser bastante mais sossegado que outros museus da cidade. Tive pena que as fotografias de Virginia Woolf que queria muito ver estivessem numa ala em reconstrução (há algum museu em Londres que não tenha permanentemente alas em reconstrução, ou sou só mesmo eu que tenho azar?), mas tive algumas boas surpresas para recompensar, quadros que não conhecia e de que gostei muito. Saí com a sensação de que, se algum dia acabar por viver em Londres, a National Portrait Gallery vai ser um dos meus abrigos. Até lá, conto os dias para voltar, nem que seja de passagem.

Saturday, September 23, 2017

Museu de História Natural | Londres

Abril 2017


Vi o Museu de História Natural de Londres quase à corrida, no fim do dia, pouco antes de fechar. Não liguei muito aos dinossauros, e não pude ver, entre uma quantidade considerável de secções que por algum motivo estavam encerradas, o famoso Hintz Hall. Por tudo isto, e porque as expectativas eram altas, a visita desiludiu um pouco, e fiquei com a sensação de que me escapou alguma coisa. Quero voltar com mais tempo e todas as secções abertas, para ver se a minha opinião se mantém ou não.
Ainda assim, eu gosto muito dos museus com ar antigo, que parecem não ter mudado nada desde o fim do século XIX, como se fizessem eles mesmos parte da colecção. E por isso gostei muito da ala de taxidermia do Museu: não só é aquela que mantém mais esse ar antigo, como essa sensação é acentuada pela estranheza, que é também o fascínio, dos animais a meio caminho entre a impressão de vida e a petrificação, como se fossem uma espécie de fotografia. Tudo parece suspenso no tempo, e eu gosto dessa ilusão de que, se ficar também eu muito quieta e esperar por um momento com menos gente, talvez consiga espreitar o passado.

Tuesday, September 12, 2017