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Monday, November 13, 2017

The holiness of empire

"What is the holiness of empire?
It is to know collapse."

The Fall of Rome: A Traveller’s Guide (excerto), Anne Carson

Tuesday, August 22, 2017

Oriente

"On a toujours besoin d'un Orient qui soit un ailleurs"
André Vauchez, Les Laiques Au Moyen Age

Coluna que sustentas com a tua solidão

"As fórmulas mais belas de saudação que conheço são as trocadas entre os padres do deserto. Aqueles anacoretas, exploradores de silêncios abissais, tinham como ideal tornarem-se irreversivelmente estranhos ao modo comum de atravessar a terra, e viver exactamente "como um homem que não existe". Mas eles, que comunicavam por monossílabos e gestos para não ferir a ciência sagrada do silêncio, nas ocasiões em que se encontravam faziam-no com solenidade máxima: "Ave, guardião da manhã, montanha inacessível"; "Ave, coluna que sustentas com a tua solidão o inteiro universo"."
José Tolentino Mendonça na revista do Expresso (19.08.2017)

Ainda (e sempre) as traduções

"As traduções, em geral, envelhecem mais depressa do que os originais."
Mário Santos no Ípsilon 18.08.2017


Basta ler qualquer tradução portuguesa que tenha umas boas décadas em cima para perceber o quanto isto é verdade. Por outro lado, nunca deixa de me espantar a quantidade de obras clássicas que tiveram edição e tradução portuguesas nas décadas 50 e 60 (estimativa grosseira), que nunca conheceram uma reedição até hoje. Não são só as traduções que envelhecem.

Thursday, August 17, 2017

Etty Hilesum, aforismos acidentais

"Tudo é coincidência ou nada é coincidência. Se eu acreditasse na primeira hipótese, não conseguiria viver, mas ainda não estou convencida da última."

"Ó Deus, dá-me de manhãzinha menos pensamentos e mais água fria e ginástica."

Diário 1941-1943 (Assírio & Alvim)

Monday, July 31, 2017

gente perdida

"Se a vida fizesse sentido, não havia filmes. Nem livros. Não sabemos onde moramos e, por vezes, um filme ou um livro dão-nos a impressão de estarmos em casa. Os filmes e os livros de que gosto são os de homens ou mulheres perdidos. Gente que não sabe encontrar o caminho para casa ou nem sequer sabe já o que seja uma casa."

Manuel S. Fonseca | "Nunca Saí do Liceu", no blogue Escrever é Triste

Tuesday, July 11, 2017

Que luto

"Fica, aliás, uma interrogação perturbante: depois dos acontecimentos que dilaceraram (e dilaceram) o país, que luto nos querem fazer viver quando, entre a tragédia e a festa, já não há diferença mediática de linguagem?"

João Lopes, no Sound+Vision.

Wednesday, June 21, 2017

Serendipity



"Which makes me think of a 1920s in which nobody minded when people vanished or transformed into birds."
Neil Gaiman, acerca desta fotografia.


"Tende-se a pensar na fotografia como um documento ou como uma composição artística; ambas as finalidades se confundem às vezes numa só: o documento é belo ou o seu valor estético contém um valor histórico ou cultural. Entre essa dupla proposta ou intenção desliza algumas vezes o insólito como o gato que salta para um palco em plena representação, ou como aquele pardalinho que uma vez, quando eu era jovem, sobrevoou prolongadamente a cabeça de Yehudi Menuhin que tocava Mozart num teatro em Buenos Aires. (Afinal de contas não tão insólito quanto isso; Mozart é a prova perfeita de que o homem pode fazer aliança com o pássaro)."
"Janelas Para O Insólito", in Papéis Inesperados, Julio Cortázar

Friday, June 9, 2017

Romantismo

"Da minha parte, sou sensível também às circunstâncias culturais dos textos, e até às empíricas. Imagino, com comoção, a extracção do barro às margens do Eufrates, para que nele se pudessem inscrever narrativas. Imagino essas placas, inscritas com arcanos e palavras capazes de sustentar o universo humano, a secar ao sol ou a cozer nos fornos em que também se fazia o pão. Tudo isso me faz pensar num assombro que emanaria da palavra escrita e que já não estamos em condições, talvez, de determinar. Serei talvez vítima da ilusão que costuma confundir o mais antigo com o mais primordial. Mas ao ler os textos mesopotâmicos, em especial o Gilgamesh, sinto-me sempre (talvez ingenuamente) à espera de surpreender os passos perdidos dessa seriedade abismal sem a qual a literatura não poderia ter vindo à existência."

Francisco Luís Parreira, em entrevista ao Ípsilon acerca da sua tradução para Português do Gilgamesh (02.06.2017) 

Monday, June 5, 2017

Consciência

"Alguma divulgação bem intencionada costuma proclamar que o poema de Gilgamesh é o texto mais antigo do mundo. Não é (e qual seja é impossível de determinar). É, no entanto, a narrativa que os mais antigos leitores do mundo mais se preocuparam em preservar e copiar. (...)
Mais importante do que isso, é talvez o facto de se constituir como o primeiro texto centrado numa personagem, isto é, um centro de conflito entre o desejo e a ordem objectiva do mundo. Trata-se de uma figura para a qual a morte própria constitui o acontecimento primordial da sua existência."

Francisco Luís Parreira, em entrevista ao Ípsilon acerca da sua tradução para Português do Gilgamesh (02.06.2017)

Leitores

"Esta edição ambiciona servir simultaneamente o leitor leigo e o especialista. São conciliáveis?

A resposta é um sim enfático. Um especialista é apenas um leitor leigo mais tenaz (ou menos parcial). Estão ambos abrangidos por uma velha máxima aristotélica que todos os dias encontro comprovada: todos os homens desejam naturalmente saber. Nem sempre encontro comprovação de que esse desejo se queira relacionado com livros, é certo, mas não custa nada tentar."

Francisco Luís Parreira, em entrevista ao Ípsilon acerca da sua tradução para Português do Gilgamesh (02.06.2017)

Tradução II

"(...)  dê-se por favor aos suplício de imaginar uma versão em prosa das Elegias do Duíno ou do Cimitière Marin. Chamar-lhe-ia tradução? Parece-me que soluções desse tipo padecem de dois pecados: orçam por cima a boa-fé do leitor e acumulam capital autoral na pessoa do tradutor, que desse modo se deixa equiparar a uma espécie de paraíso fiscal da poesia."

Francisco Luís Parreira, em entrevista ao Ípsilon acerca da sua tradução para Português do Gilgamesh (02.06.2017)

Tradução I

"Não existindo um texto de partida pacífica e definitivamente estabelecido, esta não é uma simples tradução. O que procurou alcançar com as opções editoriais feitas?

(...) Para responder à sua pergunta: procurei, antes de mais, a melhor articulação possível de fontes que provêm de lugares, línguas e até milénios diferentes, e que são incompletas e, muitas vezes, mudas quanto ao seu lugar e relevância. "Melhor" significa aqui: inteligível quanto à narrativa e correspondendo a uma aproximação ideal das intenções do compilador babilónio." 

Francisco Luís Parreira, em entrevista ao Ípsilon acerca da sua tradução para Português do Gilgamesh (02.06.2017)

Erudição

"Contrariando uma tendência de anos recentes, exemplificável com algumas traduções de Homero feitas por Frederico Lourenço, optou por uma tradução e por uma edição ostensivamente eruditas. Porquê?

(...) Mas permita-me que conteste a sua ideia de uma tendência recente, tal como a descreve. Estou inclinado a supor que essa tendência pertence mais ao foco mediático do que aos factos. Acabei de ler, por exemplo, uma edição recente, da Gulbenkian, dos Textos da Literatura Egípcia do Império Médio, da autoria de Telo Ferreira Canhão, e recordo como exemplo de como ler e editar um texto a edição dos professores Mário Jorge de Carvalho e Nuno Ferro do maravilhoso texto de Kierkegaard, Adquirir a sua Alma na Paciência, na Assírio & Alvim.
São traduções eruditas, no sentido que evoca, e relativamente recentes; apesar de extraordinárias, e de se aprender mais com elas do que com um trimestre inteiro de edição industrial, creio que nenhuma delas mereceu qualquer menção na crítica impressa. Espero entretanto que a tendência de que fala não resulte na depreciação do que é "erudito". Embora não tenha um amor excessivo a essa palavra, assinalo que certos textos, para se revelarem, precisam de uma conversa prévia ou periférica e de alguém que se coloque em situação de iniciá-la. Eu, por exemplo, ainda hoje não sei que canção cantaram as sereias a Ulisses e bem gostaria que houvesse alguém a dizer-mo."

Francisco Luís Parreira, em entrevista ao Ípsilon acerca da sua tradução para Português do Gilgamesh (02.06.2017)

Wednesday, April 20, 2016

A opressão do sucessivo

"Como pude não sentir que a eternidade, ansiada com amor por tantos poetas, é um artifício esplêndido que nos livra, embora de maneira fugaz, da intolerável opressão do sucessivo?"

Jorge Luis Borges, no prólogo de História da Eternidade

Thursday, June 11, 2015

Invisible Cities

Lisboa | Junho 2015


"So if I wish to describe Aglaura to you, sticking to what I personally saw and experienced, I should have to tell you that it is a colorless city, without character, planted there at random. But this would not be true, either: at certain hours, in certain places along the street, you see opening before you the hint of something unmistakable, rare, perhaps magnificent; you would like to say what it is, but everything previously said of Aglaura imprisons your words and obliges you to repeat rather than say."

Invisible Cities, Italo Calvino


I take the same walks around Lisbon (and all the places I love) over and over again. I always find that hint of the beautiful and transfiguring, a special kind of happiness in the details, and I never cease to try to say those ineffable words. Even if I'll just end repeating myself.