Não sei se posso dizer em boa justiça que seja tímida, mas sou mesmo muito reservada. Tenho medo do confronto e da exposição, e lido mal com a minha própria transparência (curiosamente esta é uma experiência que tenho repetidamente: metade do mundo diz-me que sou muito fechada e difícil de ler, a outra metade maravilha-se com a minha transparência). No dia a dia isto leva-se, e não inibe a minha curiosidade, a minha sede de mundo; mas nas fases difíceis transforma-se com facilidade numa atitude defensiva, e isso quer dizer que por vezes preciso de um esforço consciente e constante para não hostilizar aquilo que é diferente e que, como tal, é sentido como potencialmente desestabilizante.
Nunca percebi a obsessão com o novo e o diferente, mas também sei que o desprezo pelo diferente - geralmente ancorado no medo ou na sobranceria - costuma ser uma via-rápida para a mesquinhez. E por isso dou graças por aquelas pessoas, momentos ou experiências que me dão vontade de pisar terreno desconhecido. Hoje aconteceu-me com mais um Tiny Desk Concert, de uma banda que pertence a uma família de géneros musicais / estilos / estéticas para a qual geralmente tenho pouca paciência, e que acabo por desconsiderar com facilidade. Mas há coisas que são contagiantes e que vão directas ao coração. Quando acabei de ver os Tank and the Bangas, não estava só consideravelmente mais feliz, mas também um bocadinho mais crente na existência de pessoas com o condão - e a vontade - de espalhar felicidade. E isso é um grande antídoto contra o medo do mundo.
Psiu:
ReplyDelete'I used to think I was the strangest person in the world but then I thought there are so many people in the world, there must be someone just like me who feels bizarre and flawed in the same ways I do. I would imagine her, and imagine that she must be out there thinking of me too. Well, I hope that if you are out there and read this and know that, yes, it’s true I’m here, and I’m just as strange as you.'
Frida Kahlo
Obrigada por isto, a sério! Um abraço mesmo grande*
DeleteNão tenho uma citação tão catita quanto a da Patrícia, mas só mesmo um muito obrigado por esta pérola de felicidade que me está a abalançar a segunda de manhã :)
ReplyDeleteÉ contagiante, não é? Gostei especialmente da última canção: musicalmente é a menos interessante, mas a letra e a maneira como é cantada são tão bonitas que é impossível não aderir. Um abraço, boa segunda!
ReplyDelete