Dezembro

Sunday, December 30, 2018SilverTree
A casa regressará ao seu calor
O Inverno ao seu Fogo
A noite à sua luz

Feliz Natal

Monday, December 24, 2018SilverTree
"Ao cristianismo ocidental sucede uma espécie de “paganismo da felicidade”, turbulento, comercial e irrisório, como o sinal do início do inverno — mesmo assim, alguma coisa existe que não conseguimos esquecer. Mesmo para quem não é cristão, a “quadra natalícia” é um pretexto para nos vermos. Sobrevivamos à solidão; isso será o bastante."

Faço minhas estas palavras. Feliz Natal.

Sacrifício

Monday, December 10, 2018SilverTree
A necessidade de auto-imolação perante os problemas das pessoas que amamos é dos impulsos mais nobres que temos, mas também dos mais inúteis. É que aquilo que precisamos de fazer para sentir que fizemos alguma coisa raramente coincide com aquilo que a outra pessoa precisa.
Não tentem explicar isto a ninguém. Não resulta, é a última coisa que alguém desesperado para ajudar quer ouvir, e acabamos a ser um exemplo cabal daquilo que estávamos a tentar demonstrar.
É um ciclo vicioso, também no sentido anglo-saxónico do termo, "vicious", cruel: se a pessoa que precisa de se sentir útil abdicasse dessa necessidade, poderia então começar a sê-lo realmente, e dar bom uso à sua ternura. Mas atira-se de cabeça, sofre convictamente e sem admitir qualquer alternativa (empatia não é isto), e no fim fica no chão, escavacado e perplexo, quando descobre que o seu sacrifício não resolveu coisa nenhuma. O espectador, que assiste a tudo isto, tenta quebrar o ciclo, mas o melhor que pode esperar é aperceber-se a tempo de que está a fazer o mesmo e retirar-se, aceitando que ainda está para nascer alguém que consiga evitar que as pessoas se comportem como pessoas. Guarda a sua ternura no saco e espera, sem retirar grande consolo da certeza de que chegará o momento em que essa ternura será realmente necessária - quando for tempo de apanhar os cacos.

(Há dias em que estar viva cansa de maneira mais aguda, e em que gostava de pôr o saco de ternura no fundo do baú e ser capaz de me esquecer dele. Não consigo, e desde os dezanove anos que aprendi a desconfiar tanto do desespero como do impulso para o martírio. Assim, remeto-me mais uma vez para a única receita em que confio: caminho em silêncio com as pessoas que amo; de preferência lado a lado, raramente à frente, às vezes uns passos atrás.)

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