Agustina

Sunday, March 25, 2018SilverTree
"Eu não queria o êxito fácil, as opiniões, os favores, agasalho da tertúlia e o calor da insubordinação, dos injustiçados e dos paladinos da razão. Eu só queria escrever, entrar no coração das pessoas e beber-lhes o sangue, avançando sempre, criando enredos e fazendo saltar os personagens das páginas. Há pouca gente que perceba que escrever é uma espécie de danação em que às vezes se tem o encontro com Deus."

Agustina Bessa-Luís (citação na revista do Expresso, 24.03.2018)

dia mundial da poesia

Thursday, March 22, 2018SilverTree
É o dia mundial da poesia
e eu ainda não sei escrever poemas
nem estou certa de que os saiba ler.
Mas continuo a reconhecer
a possibilidade poética das coisas pequenas
um gato ao sol
uma sala vazia num museu cheio
beber quando se tem sede
lembrar-me do riso das minhas avós
sinos que ainda tocam nas cidades,
e acho que apesar de tudo
ainda não me perdi.

We'll be home then

Monday, March 19, 2018SilverTree
Escrevia acerca das consequências de não se poder assentar raízes nos lugares que amamos, onde teremos de ser sempre estrangeiros, convidados civilizados que percebam quando são horas de ir embora e deixar os donos da casa em paz, quando me cai a "Fancy Claps" dos Wolf Parade no colo, I'll be home when hair has fallen out, we'll be home when it reaches the ground, we'll be home, we'll be home then. We can sing, two cracks in the crossbeams, we can sing very, very quietly, we can sing, we can sing for each other; until then don't tear your hair out, I won't tear it out if you don't. We'll be home when my hair has fallen out, we'll be home when we've picked it up off the ground, we'll be home then, we'll be home then, we can sing and we'll be home then. Porra, que maneira de acabar um Domingo.

"Mulheres Viajantes" Sónia Serrano (Tinta-da-China)

Thursday, March 1, 2018SilverTree


"Penélope espera, e é esta espera que a consagra como mulher virtuosa. Confesso que não vejo grande virtude nesta delonga. A sua atitude influenciaria o entendimento sobre o papel da mulher ao longo da história no que diz respeito ao impulso de partir. A mulher não parte. A mulher fica. Aguarda. Ou não."

(E muito obrigada ao Pedro Serpa. Esta antologia está cheia de mulheres e de histórias que foi um gosto rever ou conhecer. Ri-me tanto com a "freira alferes" (Catalina Erauso, que espalhava caos, porrada e amantes por onde passava), fiquei com ainda mais vontade do que já tinha de ler Annemarie Schwarzenbach, Freya Stark ou Dervla Murphy (que viajou de bicicleta de Dunquerque a Deli), é sempre tão bom rever Jan Morris, de quem gosto tanto, e que escreveu um dos meus livros favoritos, o "Hav". A fazer alguma crítica, diria que existe um certo anacronismo no modo como por vezes Sónia Serrano parece julgar as suas protagonistas à luz de critérios contemporâneos, mas isso não me impediu de me gostar muito deste livro - que me deixou, acima de tudo, com uma vontade tão grande de viajar mais, e talvez de modo diferente.)

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