Ursula K. Le Guin (1929 - 2018)

Saturday, January 27, 2018SilverTree


Gostava de escrever uma homenagem bonita a Ursula K. Le Guin, que morreu no dia 22 de Janeiro, mas faltam-me as palavras. Ficam os seus imaginários, capazes como poucos de abrir a possibilidade para uma reflexão lúcida, desassombrada - e sem proselitismos idiotas - sobre a humanidade, fica a sua compreensão profunda da natureza humana, a mistura de carinho e angústia que mostrava ter por nós, todos nós, nas suas personagens e nas suas histórias. Era humanista de uma estirpe que parece estar em vias de extinção e que hoje nos faz cada vez mais falta.

Grão da mesma mó | Sérgio Godinho

Friday, January 26, 2018SilverTree



"Vê lá o que fazes,
há tanto a fazer.
Fazes que fazes
ou pões sementes a crescer?

(...)

Não queiras ser nem um exemplo,
nem um mau exemplo, por si só
Há dias em que é grão da mesma mó"

Germana Tânger (1920-2018)

Tuesday, January 23, 2018SilverTree
Leio a notícia que dá conta do falecimento de Germana Tânger. Não conheci o seu trabalho a fundo, mas conheci o suficiente para o admirar. Deixo aqui parte de um texto que escrevi num blog antigo, depois de a ter ouvido pela primeira vez, em Junho de 2008, bem como o link para essa entrevista completa.

"Assombrou-me ouvir Germana Tânger, convidada do programa "Câmara Clara" de 15 de Junho, dizer o Aniversário de Álvaro de Campos. Dizê-lo, não declamá-lo: dizê-lo do coração, como se fossem suas as palavras e sua a vida que se derrama no poema.
Professora de dicção no Conservatório Nacional durante vinte e cinco anos e declamadora há mais de cinquenta, falou de como para dizer poesia é preciso, antes de mais, que quem a diz encontre a sua própria voz. Gostei desta ideia de apropriação do poema, fazê-lo sair do meu coração e não do meu palco; mais do que passar da leitura passiva à voz, passar de declamá-lo a vivê-lo activamente.
Depois de ver e ouvir o Aniversário de Germana Tânger (porque foi tanto seu quando o partilhou, que demorei algum tempo a reconhecer o poema de Pessoa) experimentei com um dos poemas que me é mais querido; repeti muitas vezes os versos que saíram vazios, demorei-me em cada palavra e, devagar, vi transformar-se à minha frente um poema que sempre tinha considerado meu - até esse momento em que verdadeiramente o foi."


Sábado

Monday, January 15, 2018SilverTree
Untitled
Untitled
Untitled
Sábado


Brunch no Kaffeehaus. Uma mesa no canto. A luz suave junto das janelas. Chantilly no café. Tempo para ler jornais de uma ponta a ponta. Cair para dentro de um livro sobre Istambul, e só reparar que o ruído no café se tornou ensurdecedor quando levanto os olhos, entre capítulos. Uma paragem na Vida Portuguesa, cujo meu canto favorito continua a ser aquele atrás do balcão, num nicho que parece saído da Casa Velha dos meus avós. Os alfarrabistas da Rua Anchieta. A chuva miudinha. A exposição da Ana Hatherly na Gulbenkian. Ver a noite cair enquanto se desce a Avenida da Liberdade.

Brunch at Kaffeehaus. A corner table. Soft light pouring through the windows. Whipped cream on my coffee. Time to read the newspaper. Falling into a book about Istambul, not even noticing the cafe getting crowded and noisy. Going to A Vida Portuguesa, a shop that never fails to remember me of my grandparents old house. Second hand book sales. Rain. An exhibition about Ana Hatherly. Watching the night fall as we stroll through Avenida da Liberdade.

Sábado

Monday, January 15, 2018SilverTree
Sábado
Sábado

Chá

Sunday, January 7, 2018SilverTree
Birthday & tea
Birthday and tea

Duas das prendas mais bonitas que recebi este aniversário foram acerca do chá: o clássico "Livro do Chá", de Kakuzo Okakura, e um conjunto de bule e chávena lindíssimo do Museu Victoria & Albert. Tão grata e feliz pelas pessoas que me acompanham e acarinham.

This birthday was all about tea, with the classic "Book of Tea" by Kakuzo Okakura, and a beautiful tea pot & cup from the Victoria & Albert Museum. I'm thankful and happy.

Winter tales of a January girl (I) Pergulho

Friday, January 5, 2018SilverTree


Dias de Inverno, cheios de árvores, céus cambiantes, aquele silêncio que só se encontra no campo, muita escrita e muita fotografia, riachos criados pela chuva, olhos rentes ao chão de erva, musgo e xistos, chuva e vento que uiva, lareira, dormir em frente à lareira, muito Tom Waits, muito chá, vinho quente com especiarias, pequenos tesouros e memórias de família, um xaile da Avó e um xaile novo, demasiada comida e tanto, tanto mais.

Winter days, full of trees, changing skies, silence, writing, little brooks created by rain, details of grass, moss and shale. Rain and howling wind, a fireplace, lots of music by Tom Waits, hot tea and mulled wine, little family treasures and memories, way too much food, and so much more.




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Friday, January 5, 2018SilverTree


Hoje faço anos. Chego aos trinta e quatro cansada e mal tratada pelo desencanto. Como antídoto escolho o regresso às minhas pequenas mitologias pessoais: a luta permanente entre o espanto da Alice e perversidade da Rainha; Ariadne que em Naxos renasce pelas mãos da embriaguez e da liberdade. E sempre, sempre, as árvores minhas irmãs: raízes profundas na terra, ramos tocando o céu. Riachos e oceanos no coração.

I turn thirty-four today. I look back at the last year, and I find myself bruised and battered by disenchantment. I choose to fight it, summoning my little personal mythologies: the never ending struggle between Alice's wonder and the Queen's perversity; Ariadne reborn in Naxos, drunk with freedom. And most of all the trees, always the trees: roots deep in the earth, branches reaching up to the sky. Streams and oceans in my mind.

Música de 2017 | "Hippopotamus", Sparks

Thursday, January 4, 2018SilverTree



"There were no smoky dives
Few amours, fou or not
There were no petty crimes
Foreign substances bought
There were no midnight drives
With a crime boss's wife
Need a sentence at most
In assessing my life

Edith Piaf said it better than me
“Je ne regrette rien"
Pretty song, but not intended for me
Time to put some Muzak on"

Sparks, Edith Piaf (Said It Better Than Me)



Só por este álbum já valeu a pena o tempo que passei nas listas de "melhores de 2017", à procura do que me escapou durante o ano. Tinha saudades de uma boa canção "esquisita" como a Hippopotamus, algo que consiga soar realmente diferente e entusiasmante, mas sem uma carga de pretensão demasiado irritante. Já a canção Edith Piaf (Said It Better Than Me) atingiu-me bem no centro: que mistura assombrosa de desencanto na letra e fuga para a frente na música, e que melhor descrição para a minha idade, por aquilo que vejo em mim mesma e no meu círculo de amigos? Um dia talvez fale mais disto, quando arranjar palavras justas.

This album alone would be enough to justify the considerable amount of time I spent on "best of 2017" lists, looking for what I might have missed throughout the year. I love a good, old "weird song", and Hippopotamus hits the right tone, feeling new and exciting,  but not annoyingly pretentious. The song Edith Piaf (Said It Better Than Me) is an whole other story: I was blown away by its mix of disenchanted lyrics and energetic music. Thinking about my own experiences, as well as those of my close friends, the  mixture feels very familiar, heart trying to convince mind not to give up on enthusiasm yet. Maybe one day I'll find the right words to talk about that.

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